Diabetes na Terceira Idade Dr. Luis Carlos Casseb Filho – Médico Endocrinologista

No Brasil aproximadamente 73% dos pacientes portadores de diabetes tipo 2 apresentam mal controle glicêmico!

Nossa missão como médicos é melhorar esta realidade, através de estratégias educacionais e novas abordagens medicamentosas.

O diabetes senil, típico da terceira idade, tem fisiopatologia menos complexa que o diabetes tipo  2 clássico, portanto muito mais fácil de se alcançar controle.

Quando for tratar um paciente diabético sempre pense em drogas que sejam bem toleradas, de fácil posologia, que não causem ganho de peso e principalmente que não provoquem hipoglicemia.

A hipoglicemia (queda abrupta do açúcar do sangue) pode levar o indivíduo a quadros de arritmia cardíaca, quedas e consequentemente fraturas , desmaios e até morte súbita!

Devemos evitar sempre as hipoglicemias, não há mais necessidade de colocar nossos pacientes idosos a este risco!

Felizmente hoje temos vários medicamentos que são muitos seguros e raramente podem levar a uma hipoglicemia. Entre eles os inibidores da DPP4 ( nomes comercias mais comuns: januvia, galvus, onglyza , trayenta e nesina.) que são medicações “inteligentes”. Elas só agem se o paciente se alimenta e além disso raramente têm efeitos colaterais.

Os IDPP4 também têm ações adicionais como:

  • Segurança cardiovascular
  • Boa tolerabilidade
  • Sem ganho de peso
  • Melhora da microalbuminúria
  • Ação anti-apoptose das células pancreáticas
  • Suprime o glucagon e melhora a glicemia de jejum
  • Aumenta a sensibilidade das células pancreáticas

É uma ótima opção medicamentosa para pacientes diabéticos idosos, magros, acamados ou aqueles que possuem sensibilidade gastrointestinal (principalmente aqueles que não toleram a metformina).

Devemos evitar as sulfonilureia ( principalmente glibenclamida , glimepirida) em idosos visto que podem potencialmente levar à hipoglicemia, além de ganho de peso. As sulfas ainda são uma das drogas mais prescritas no Brasil, mas vem perdendo terreno pelas novas drogas como os Inibidores da SGLT2.

Os ISGLT2 (nomes comerciais: invokana, forxiga e jardiance) são uma das mais surpreendentes drogas hipoglicêmicas já lançadas.

Tem uma ação a nível renal, diminuído a reabsorção da glicose e excretando a mesma pela urina. Literalmente o paciente elimina açúcar pela urina!

Há com isto, uma melhora do nível glicêmico, perda de peso, melhora da pressão arterial.

Há também outras ações adicionais do ISGLT2 entre elas:

  • Previne hiperfiltração glomerular
  • Reduz níveis de insulina
  • Modulação do sistema Renina Angiotensina
  • Retarda o desenvolvimento da nefropatia diabética
  • Reduz o ácido úrico

O Empa reg (estudo de segurança e desfecho cardiovascular) mostrou redução significativa de morte com o uso empagliflozina (jardiance) em pacientes diabéticos e com doença cardiovascular prévia.

Os ISGLT2 podem ser usados também em idosos com ótimos resultados!

O paciente da terceira idade mais indicado para esta classe são aqueles que estão acima do peso, hipertensos e com adequada função renal. Esta classe não está indicada para idosos muito magros e com tendência de hipotensão arterial.

A maioria dos pacientes com diabetes senil conseguem bom controle com monoterapia.

As combinações de drogas podem ser utilizadas quando se deseja melhor controle do diabetes. Há muitas vantagens na combinação entre elas:

  1. Atuar em múltiplos mecanismos
  2. Potencializar/adicionar efeitos
  3. Sinergismo de ação
  4. Doses menores dos medicamentos
  5. Contrabalancear limitações/ou efeitos adversos

Todo tratamento do diabetes deve ser individualizado. É importante focar também o controle de pressão arterial e da dislipidemia (aumento do colesterol e triglicérides) comuns na maioria dos diabéticos.

Não é demais lembrar que as mudanças de hábitos e estilo de vida devem ser sempre reforçados durante o tratamento do diabetes. Sempre encorajar os idosos à prática de atividades físicas, além de orientar uma dieta saudável e equilibrada.

 

 

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